Esta é uma pergunta muito antiga e polêmica, já que envolve muita paixão em sua origem, pois é isso que o revólver significa, passionalidade! Quem não esbugalha os olhos quando vê um grande e imponente revólver? E também envolve desconfiança, que é o que muitos ainda tem em relação às pistolas, principalmente aqueles que não tem intimidade com essa tipo de arma de fogo.

A verdade é que hoje as duas armas coexistem e tem seus adeptos, que, motivados pela paixão, ou pela razão, fazem suas escolhas e as defendem com veemência e até exaltação! Por este motivo esclareço logo no inicio deste artigo que as palavras que seguem à frente são as minhas considerações sobre o tema, nada mais do que isso.


Para restringir o alcance de nossa despretensiosa discussão, vamos nos ater ao uso das armas em comento apenas para o emprego policial e para a defesa pessoal, e assim, primeiro devemos entender como funcionam o revólver e a pistola.

- História e Funcionamento
A primeira pistola semiautomática a ser fabricada industrialmente foi a Mauser C-96, no já extinto calibre 7,63mm Mauser e surgiu na Alemanha em 1896, local onde foi fabricada também, em 1900, a famosa Luger P-08, calçando o calibre 7,65mm Parabellum e a partir destas duas pistolas, várias outras armas semiautomáticas foram fabricadas. A palavra pistola recebeu influência do nome da cidade onde esse tipo de arma foi criado, a cidade de Pistoia, que era um grande centro de armeiros da Itália.

Neste vídeo mostro os disparos que fiz com uma pistola Luger P-08, que infelizmente não estava funcionando bem. Ela efetuava um disparo, porém não ciclava, desta forma, não foi possível fazer disparos mais rápidos. Ela tem um manuseio um pouco complicado e a manobra de carregamento (golpe de segurança) é muito difícil de se fazer, pois a alavanca onde se puxa não é das mais ergonômicas. O seu recuo é considerável se lembrarmos que o calibre é apenas um 7,65 Parabellum. Foi uma gratificante saber que estava atirando com um dos primeiros projetos de pistola do mundo.


A princípio uma pistola parece possuir um mecanismo complexo, principalmente se comparado a um revólver, mas ao saber um pouco de seu funcionamento descobre-se que isso não é verdade. O atirador ao pressionar o gatilho, força o movimento do martelo à retaguarda, que ao ser solto bate no percursor  da arma que está a sua frente, por sua vez este bate na espoleta do cartucho, que se encontra no interior da câmara, causando a queima da pólvora e a produção de gases. Estes gases não tem por onde escaparem e então empurram o projétil para frente, forçando-o no cano da arma entre as raias. Parte dos gases produzidos são usados para empurrar o ferrolho da pistola para a retaguarda, ejetando o cartucho deflagrado que estava na câmara e graças a força de uma mola, o ferrolho e obrigado a voltar à frente e nessa volta ele colhe uma munição que está no carregador, encaixando-a na câmara da arma e deixando o mecanismo do gatilho já armado e pronto para o próximo disparo.

Ressalto que este é o funcionamento de uma pistola semiautomática, que se diferencia do sistema automático apenas por um detalhe, o sistema automático faz todos as etapas de funcionamento da pistola, inclusive o disparo, fato que não se evidencia nas pistolas semiautomáticas. Este vídeo de nosso canal no YouTube fala bem sobre os regimes de funcionamento de uma arma de fogo, inclusive o do revólver.


Chamamos o processo de disparo acima apontado de “ciclo”, ou seja, a cada disparo que uma pistola executa, ela faz um ciclo. A cada ciclo ela dispara, extrai, ejeta, apresenta um novo cartucho e o coloca na câmara de deflagração e isso acontece toda vez que há o acionamento do gatilho.

As pistolas geralmente usam carregadores tipo cofre, onde as munições são colocadas previamente e depois esses carregadores são inseridos na arma. Um carregador pode ter quantidades de cartuchos variadas, como por exemplo os carregadores tipo tambor (cofre discoide), que podem acondicionar até 100 cartuchos ou mais.


Finalmente sobre as pistolas apresento este outro vídeo, também de nosso canal, onde explico sobre o funcionamento e a nomenclatura básica de uma pistola, vale a pena vê-lo!


Já em relação ao revólver podemos dizer que ele é uma arma curta de tiro unitário, que possui um cano e um tambor com várias câmaras, que giram de acordo com o acionamento do gatilho, impulsionado pela força muscular do operador. Seu nome que dizer “revolução”, pois seu tambor vai girando e alinhando uma munição nova ao cano cada vez que o gatilho é pressionado.

O primeiro revólver de seis tiros a ser fabricado em escala industrial foi o Colt 45, desenvolvido em 1835, por Samuel Colt e desde essa data o revólver vem marcando presença em várias guerras e conflitos mundiais e já foi usado por inúmeras forças militares e policiais em diversos países.


Diferente das pistolas que funcionam impulsionadas pelos gases gerados pela queima da pólvora contida dentro dos cartuchos, o revólver funciona em decorrência da força muscular feita sobre o gatilho pelo atirador, que faz o tambor girar e também move o martelo (cão) a retaguarda. Assim, o gatilho do revolver é bem mais longo e pesado que o gatilho da pistola.

Um detalhe que deve ser destacado quanto ao aproveitamento dos gases dos revólveres é que eles perdem uma quantidade significante na fenda entre o tambor e o cano. Essa fenda é chamada de Gap e os revólveres mais bem acabados tem esse Gap bem estreito, ou seja, o tambor é bem próximo do cano, para que a perda de gazes seja a menor possível, assim o projétil não perderá energia. O padrão de tolerância nessa folga é de .006 de polegada, com uma variação de .003 para maior ou menor.


Não há como negar que os revólveres evoluíram muito desde a sua criação, mas na atualidade podemos dizer que eles chegaram no limite de sua evolução. Novos materiais como o titânio já estão sendo usados, sistemas de segurança mais efetivos são empregados, mas daqui para frente pouco se pode esperar no que diz respeito sobre alguma grande novidade mais revolucionária para os revólveres.

Finalizando o tema inicial, trago este vídeo muito ilustrativo que mostra sucessivamente o funcionamento de um revólver e o de uma pistola plataforma 1911.

Agora que já sabemos um pouco da história das duas armas e também seu funcionamento, podemos estudar quais as vantagens e desvantagens delas, comparando-as em alguns quesitos:

- Capacidade
Enquanto o tambor de um revólver carrega normalmente seis cartuchos, uma pistola tem carregadores com capacidade média de 17 munições e no prazo em que um atirador de revólver gasta para fazer uma recarga de seis novos cartuchos, um atirador com pistola consegue fazer até duas recargas com outros carregadores com capacidade de 17 ou 19 novos cartuchos. Isto é, enquanto se faz a recarga com seis cartuchos num revólver, numa pistola faríamos a recarga de 32 novos cartuchos.

Lembro ainda que no ato de recarregar uma pistola, caso os cartuchos do carregador não tenham acabado, sempre haverá uma munição na câmara, e isso não deixará o operador sem munição para uma eventualidade. Essa é a chamada recarga tática, muito usada no IPSC e que agiliza a troca de carregadores de uma pistola, que já é por sua natureza muito mais rápida que a do revólver.

Para saber mais sobre Recarga Tática e Recarga Emergencial de uma pistola veja o vídeo abaixo.

Existem equipamentos criados para agilizar a recarga do revólver, como os Jet Loaders. Só quem já usou um desses que sabe como é complexo! Eles são difíceis de se acoplar ao tambor do revólver e no Brasil não conseguimos facilmente modelos de boa qualidade. Além do mais eles são desconfortáveis para se portar, pois são largos como os tambores dos revólveres e assim são difíceis de se dissimular. Para se ter uma capacidade boa de disparos você teria que levar no mínimo dois Jet Loaders, o que ocuparia muito espaço em sua cintura, no cinto, do lado externo ou dentro do bolso. Com o Jet Loader nesta posição é quase impossível um porte dissimulado e discreto.

Observações semelhantes servem também para o porte no serviço operacional policial, pois um operador consegue levar dois carregadores de pistola com capacidade de 18 munições cada um, com muito mais conforto e com menos espaço que dois Jets com apenas seis munições cada um.

- Manuseio
O revólver com certeza é muito mais simples e fácil de se manusear que uma pistola. As panes de funcionamento no revólver são sanadas de maneira bem mais simples, geralmente só o fato de apertar o gatilho novamente já é o suficiente para fazer com que o revólver volte a atirar, o que não se verifica com as pistolas, já que a resolução de suas panes de funcionamento necessitam de um conhecimento maior por parte daquele que as usa.

O revólver possui apenas a trava do tambor (dedal serrilhado), já a pistola, dependendo do modelo, possui várias, de maneira que talvez impeça o usuário de realizar qualquer disparo, como por exemplo, uma pistola da IMBEL com o sistema ADC.

As pistolas conhecidas pelo nome Striker Fired, aquelas que operam com o sistema de percursor lançado, como as CZ P-10 ou as P320 da Sig Sauer, tem um manuseio muito simples, parecido com o do revólver, de forma que não é preciso armar nenhum mecanismo ou acionar qualquer trava para realizar disparos e para fazer o caldeamento da mesma forma acontece, bastando apenas colocar a arma no coldre após atirar. Assim como um revólver basta sacar, atirar e coldrear.

Para saber mais sobre o Sistema ADC das pistolas IMBEL, veja o vídeo abaixo.

As pistolas podem ser facilmente adaptadas para uso de pessoas canhotas, o que não é possível para os revólveres. Inclusive alguns modelos de pistolas já vem de fábrica com seus mecanismos totalmente ambidestros. Outro ponto é que o centro de gravidade da pistola é mais equilibrado que o do revólver, pois a parte com o maior volume de massa de sua estrutura fica localizado mais próximo da palma da mão.

Um problema comum a todos os revólveres é o desenroscamento da haste do extrator, que impede que o tambor se abra e assim inutilizado momentaneamente a arma. Outro fato que pode acontecer é um ou mais dos cartuchos deflagrados ficarem presos nessa mesma haste, na estrela do tambor, caso a extração seja feita com o cano do revólver voltado para baixo ou sem a devida força. Essa temida possibilidade só reforça a dificuldade na recarga do revólver.

- Versatilidade
Inegavelmente um revólver é muito mais tolerante a sujeira e à variações de cargas de munições do que uma pistolas. Podemos mudar o fator de energia de um cartucho de diversas maneiras que o revólver irá funcionar sem problemas. Tais variações não podem ser feitas com uma pistola, pois as diferentes cargas de pólvora poderiam fazê-la funcionar mal, não funcionar ou até mesmo explodir em decorrência da falta ou do excesso de pressão no interior de sua câmara.

Os calibres mais fortes sempre aparecem nos revólveres, como o G500 S&W Magnum, que é a arma de mão feita em escala industrial mais poderosa do mundo. Claro que temos pistolas com grandes calibres, como a Desert Eagle .50 AE, ou a pistola Coonam no .357 Magnum, mas estes não tem energia igual aos calibres encontrados nos revólveres. E falando de energia na boca do cano entre revólveres e pistolas, citamos uma pequena curiosidade que é bem pertinente ao cenário nacional e que muitos desconhecem tal fato. O calibre .38 SPL possui bem mais energia que o calibre .380 ACP, o que significa resultados balísticos melhores, ou seja, o calibre 38 é melhor que o 380!

Nos vídeos abaixo mostro uma das ocasiões em que atirei, junto com minha esposa, Tenente Rhainna @rhainnaiannari, com alguns dos calibres acima destacados.



- Confiabilidade
A confiabilidade no armamento é na verdade uma questão de intimidade com sua arma, que é conseguida somente através do treinamento constante e isto depende somente do operador da arma, seja ela um revólver ou uma pistola.

O revólver dá ao seu operador a sensação de maior confiança em consequência de seu mecanismo mais simples. Caso haja a ocorrência de uma pane em um revólver, por exemplo a pane de falha de percussão (nega), o atirador precisa apenas pressionar o gatilho novamente. No caso de uma pistola este evento é mais complicado e assim, exige-se do operador mais treinamento para o manuseio e o tempo gasto para a resolução da pane é maior. No momento de um confronto esses segundos podem representar a vida ou a morte. Porém, vale ressaltar que as panes ocorridas nas pistolas são em sua grande maioria ocasionadas por causa de munição de má qualidade, falta de manutenção na arma ou falha de manuseio por parte do operador. Usando-se munições novas e de boa qualidade, fazendo-se a limpeza e manutenção regularmente e dedicando o tempo mínimo necessário com treinamento a seco é muito difícil a ocorrência de mal funcionamento.

A pistola possui apenas um grande orifício, o do cano, e o revólver vários. Isso aumenta a possibilidade de que um objeto estranho e indesejado penetre em um desses orifícios, como lama ou sujeira.

Nas pistolas a munição é colocada em carregadores que ficam logo abaixo do cano e a trajetória que a munição tem que fazer para encaixar na câmara, na maioria das vezes, não é retilínea, desvio este que pode ser acentuado ou agravado se usarmos munições diferentes das que foram projetadas para o uso específico naquela arma. Já no revólver as munições estão no mesmo alinhamento do cano e já estão nas câmaras, bem assentadas e acomodadas.

- Segurança
O quesito segurança depende muito mais do fator humano do que da própria arma. Mesmo que se façam armas "anti-burro", o operador mal instruído poderá causar um acidente, mesmo que a arma possua toda espécie de travas. Claro que o fato das pistolas possuírem várias travas e mecanismos de segurança, deixa claro que elas estão mais propensas a acidentes. Geralmente os revólveres modernos possuem apenas o bloqueador do cão, para evitar disparos acidentais ocorridos por queda.

O excesso de segurança nas pistolas pode ser prejudicial para a velocidade do primeiro disparo, que num confronto armado pode significar o sucesso ou a derrocada, principalmente se pensarmos nas pistolas em Ação Simples. Nestas armas temos que destravar o registro de segurança ou acionar o ADC, se for uma IMBEL com esse sistema. Enquanto que nos revólveres basta apenas sacar e atirar, nada de travas ou sistemas a acionar antes do primeiro disparo.

E é justamente por esse motivo que indicamos para o uso policial e para defesa armada as pistolas que possuem o sistema de percursor lançado, ou Striker, como são também conhecidas, pois tem um manuseio simples como o de um revólver, como já acima demostrado.

- Precisão
As armas que possuem seu cano fixo tendem a ter precisão melhor que as que possuem um cano flutuante. Todos os revólveres possuem o cano fixo e algumas pistolas como a S&W Victory ou a Ruger Mark III, da mesma forma possuem canos fixados ao seu chassi, assim, consequentemente, possuem uma ótima precisão. De forma geral podemos dizer que o revólver tende a ser mais preciso que a pistola justamente por essa característica. Porém, para o uso em confrontos armados, onde as distâncias dos embates giram em torno de seis metros apenas, esse déficit de precisão das pistolas não prejudica seu uso prático.

- Tamanho & Peso
O revólver, por causa de seu tambor, tem largura maior se comparado com as pistolas o que o faz um pouco desconfortável para o porte velado. Quanto ao peso, considerando os materiais que o compõem, geralmente aço, de modo geral são mais pesados que as pistolas, principalmente se tomarmos como exemplo as pistolas que possuem o corpo de plástico, esse fator também "pesa" muito para porte diário.


- Porte Velado
Em decorrência de seu peso e volume maior, os revólveres estão em desvantagem quando o assunto é porte velado. Mas no meu entendimento, o que mais prejudica o revólver para o uso diário junto ao corpo são as varia reentrâncias e pontas de sua estrutura e principalmente o cão muito proeminente, o que pode ser um ponto crucial a ser considerado no momento do saque, já que a possibilidade de ele se prender nas vestes do operador e assim atrasar o saque, é real.

Existem a disposição no mercado nacional as pistolas chamadas de Super Compactas, conhecidas também como Pocket Guns, ou armas de bolso. Geralmente as Pocket Guns são DAO (Ação Dupla Somente), por isso seus gatilhos são pesados e longos. Nesta foto vemos dois modelos de armas de bolso, uma pistola e um revólver. Note que eles possuem praticamente o mesmo tamanho, mas o cabo, o tambor e o cano do revólver o faz maior que a pistola, dificultando assim o seu porte velado.

Aqui temos uma opção de revólver sem cão, justamente para evitar a possibilidade acima considerada na hora do saque. Ele possui cano de duas polegadas, estrutura de titânio, que é um metal leve, melhorando assim o seu porte velado e o calibre é o .357 Magnum.

Para saber mais sobre Pocket Guns, as armas de bolso, veja o vídeo abaixo.

- Gatilho
De modo geral o revólver possui um gatilho pesado e com um percurso longo, se comparado as pistolas e este peso e "tamanho" são os mesmo para todos os disparos. Isso resulta em disparos mais lentos e a precisão é prejudicada, já que o operador terá que dedicar mais tempo e atenção no ato de pressionar o gatilho - estamos falando de disparos em Ação Dupla. O fenômeno da "Gatilhada", que prejudica em muito a precisão do disparo, é mais observado quando atiramos com revólveres.

Quantos as pistolas, independente de seu sistema de acionamento (Ação Simples ou Ação Dupla) o peso do gatilho é mais leve e o seu percurso menor, se comparado ao gatilho de um revólver. Esse gatilho mais "dócil" tem como resultado disparos mais rápidos e mais fáceis de se reenquadar e consequentemente, mais precisos, principalmente se o operador souber usar todas as possibilidades que o gatilho de uma pistola pode oferecer, como por exemplo a técnica do Controle da Tecla do Gatilho (CTG), conhecido também como Reset Trigger.

Resumindo, podemos dizer que pistolas tem gatilhos mais leves e curtos e revólveres mais longos e pesados.

Para saber mais sobre Ação Simples, Ação Dupla e Dupla Ação, veja o vídeo abaixo.


- Limpeza & Manutenção
A pistola possui menos peças que um revólver e sua desmontagem de 1º Escalão é muito mais simples. A maioria das pistolas não necessita nenhuma espécie de ferramenta para esse processo. Mas para realizarmos a limpeza normal de um revólver, aquela feita para a manutenção periódica, não se faz necessário desmontá-lo, apenas limpá-lo externamente, limpar seu cano e as suas câmaras.

As pistolas possuem várias molas que devem ser verificadas sempre, já que a perda de sua elasticidade representa em mau funcionamento ou não funcionamento da arma. Diferente do revólver, que possui mecanismo bem mais simples, a pistola necessita obrigatoriamente de manutenção periódica e bem feita. Costumo dizer que sujeira e pistola não combinam.

- Recuo
O recuo é o movimento que a arma de fogo faz para trás, em resposta à energia gerada pela queima dos gases que impulsiona o projétil à frente. Nada mais, nada menos que a Terceira Lei de Newton - Ação e Reação. 

Existem duas teorias que falam de recou de armas de fogo curtas, uma para revólver e outra para pistola. A da pistola diz que esta arma possui um recuo maior que o revólver por causa do movimento do seu ferrolho à retaguarda, que se soma à energia do deslocamento natural da arma para cima e para trás, após o disparo. 

Por outro lado, considera-se que a pistola possui um recou menor que o do revólver pois estas tem uma mola recuperadora dentro de seu ferrolho, fato que ajuda a administrar o deslocamento do cano e a absorver a energia do disparo que empurra a arma para trás e também pelo motivo de que o seu cano é mais baixo que o do revólver e assim, mais alinhado ao braço do operador, possibilitando que o deslocamento da arma seja melhor assimilado por aquele que a usa.

Na minha opinião, considero que o recuo do revólver é mais forte que o da pistola, ao menos é o que eu sinto ao fazer disparos com um e com o outro, revólver e pistola.

Existe uma marca italiana de revólver chamada Chiappa Rhino, que posiciona o cano de suas armas alinhado à câmara inferior do tambor e dessa forma ele fica mais alinhado ao punho e ao braço do atirador, o que, teoricamente, resultaria num controle melhor do recuo da arma.


- Na vida real
O que encontramos atualmente sendo usado quase que absolutamente pelas forças policiais e forças armadas de todo o mundo são pistolas. É raríssimo uma polícia ou exército que equipa seus combatentes com revólveres, na verdade não consigo nomear nenhuma!
Os argumentos usados para fundamentar tal escolha são principalmente a grande capacidade de tiro, a quantidade de munições que o operador pode carregar e a velocidade de recarga de novos cartuchos. Na prática temos carregadores de 19 munições contra tambores de seis disparos, a possibilidade de levar junto ao corpo quase 40 munições reservas contra apenas 12 e o tempo de fazer uma recarga de munições na pistola, que é muito menor e bem mais fácil que o ato de retirar e colocar munições do tambor de um revólver.

Podemos concluir que o revólver passa mais confiança para seu operador, que ele é maior, mais preciso em longas distâncias e mais versátil que a pistola e ainda que possui um manuseio mais fácil, além do que o revólver tem o gatilho mais pesado e o recuo mais forte, porém, ele perde em um quesito extremamente importante para as pistolas quando pensamos em seu uso para a atividade policial ou defesa pessoal, a baixa capacidade de cartuchos e a demora para se realizar a recarga.

A pistola por sua vez transmite menos confiança ao operador, tem manuseio mais complicado que o do revólver, sendo ainda menos versátil. Porém, tem tamanho menor, é mais leve e com dimensões menores que a do revólver. Possui ainda recuo mais suave e com o curso de gatilho menor, o que resulta em disparos mais rápidos. E sua grande vantagem sobre o revólver é a capacidade de cartucho de seus carregadores e a facilidade em se realizar a recarga de mais munições.

As desvantagens acima apontadas sobre pistola em relação ao revólver, são facilmente resolúveis se usarmos sempre munições novas e de boa qualidade e mantendo as armas sempre limpas e lubrificadas. Quanto a confiança que o operador tem de sua pistola, esse quesito é garantido através do treinamento constante e pela intimidade com o armamento, que é conseguida somente com o tempo de uso e de porte na cintura, seja velado ou ostensivo.

- Conclusão
Após tantos pontos positivos e negativos expostos sobre as duas armas, o que resta é expressar a minha opinião pessoal. Considerando: 1 - a grande capacidade de tiro que a pistola oferece; 2 - a rapidez na recarga de novos cartuchos; 3 - o primeiro disparo mais fácil e preciso - já que uso uma CZ P-10, que é Striker; 4 - tiros sequenciais mais controláveis e rápidos; 5 - tem tamanho mais compacto e assim um porte velado mais confortável e dissimulado, considero que a pistola sem sombra de dúvida se mostra a melhor arma para a atividade policial e para a defesa pessoal se confrontada com o revólver. Confesso finalmente que tenho uma pistola e um revólver!

Claro que este artigo não é a verdade final sobre esse tema e nem irá exaurir o assunto. Ele expressa simplesmente a minha opinião e vários irão discordar, mas muitos irão concordar também! O importante é a troca de informações e o debate sadio.

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FONTES:

  • MACHADO, Mauricio Corrêa Pimentel. Coleção Armamento. Armas, Munições e Equipamentos Policiais. Gráfica Tuicial, 2010.
  • PIMENTEL, Roberto de Barros. Dicionário de termos técnicos da área de armas e munições. Primeira ed. São Paulo: Abril, 1995.
  • REVISTA MAGNUM. Revolver ou pistola. São Paulo: Ed. Magnum, ed. 16, ano 3, jul/ago, 1989.
  • WSNIPER, Wallace. O fascinante mudo das armas de fogo. Histórias e técnicas de tiro. 3. ed. 2014. Disponível em PDF e-book. 330 p. Acesso em: 02 abril 2015.
  • Entrevista com o estudioso sobre tiro de precisão José Neto Soares Neto @josenetoinst.